AstroBrasil

Fragmentos

Parmênides

De um lado o fogo, flama etérea,
leve e sutil, em tudo a si mesmo símil.
Do outro lado, noite sem brilhos,
densa noite tenebrosa.

Este estar do mundo,
segundo leis que lhe convêm,
a ti e todo t’o revelarei
para que de nenhum mortal
possa jamais ultrapassar-te o engenho.

Conhecerás a natureza do éter,
as luzes que o constelam,
a pura lâmpada do sol
e a sua origem,
e o olho redondo da lua
no seu errante vaguear.

Conhecerás o céu que a tudo envolve
e o seu princípio
e como Anangkê, que o governa,
lhe impôs guardar
as órbitas dos astros.

Ora (direis)…

Olavo Bilac

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”

Soneto XIII da obra Via-Láctea